A maior manchete da semana que passou, foi o artigo (ou matéria) do New York Times sobre o hábito tipicamente brasileiro do presidente (ou cidadão?) Lula, de tomar “uma e outras”. Quase virou um “embróglio” diplomático, tamanha a repercussão típica para as “repúblicas de bananas”. Sem julgar o mérito, o Lula tem lá seus direitos à brasileiríssima “cachaça”, hoje marca registrada de nossa pátria amada.

Se eu fosse do governo, aproveitava fazer um marketing global, que certamente agradaria à Associação Brasileira de Produtores de “cachaça fina”. Não vejo mal algum, do nosso presidente “tomar uma marvada”, pois atrás do cerimonial existe um autêntico brasileiro, que até é corintiano.

Por outro lado, a democracia americana protege a imprensa livre. Ou já nos esquecemos dos famosos charutos do ex-presidente Bill Clinton?

A Logística também mereceu grande destaque na imprensa maior! Há algumas semanas (02/03/04) o tradicional “The Wall Street Journal” publicou (via Estadão), um artigo do Sr. Robert Guy Matthews, intitulado: “Logística ganha valor (e empregos bem pagos) graças à globalização”, no qual prega que a Logística é a solução para a complexidade da incerteza crescente decorrente da demanda por novos produtos, dizendo que os consumidores globais querem cada vez mais variedades de produtos, e querem isso imediatamente!

Mr.Matthews, cita inclusive que “a tarefa se tornou tão complicada”, que o tradicional “MIT”, Instituto de Tecnologia de Massachusetts até expandiu seu programa de Logística, tendo introduzido o curso “Mestrado de Engenharia de Logística”.

Certamente, a maioria dos “simples mortais” não leu esse artigo, assim como não deve ter prestado atenção na notícia, publicada no mesmo “Estadão”, dia 12/05/04, “Os secretários de Desenvolvimento de seis Estados do Sudeste e Sul se reúnem em Porto Alegre para discutirem “Logística para exportação””! Sobretudo, o tema central são os gargalos em portos, ferrovias, rodovias e as possíveis soluções conjuntas, diante da perspectiva das PPP – Parcerias Público-Privadas. Aliás, ressalte-se que à macro desse problema, a NTC & Logística, através de seu competente presidente, denominou “APAGÃO LOGÍSTICO”.

Na verdade, todos os problemas de infra-estrutura e de gestão da Logística estão mapeados. São todos conhecidos! O que faltam são propostas concretas e objetivas, em lugar de “choramingo” de personalidades do governo e da iniciativa privada.

Curiosamente, na mesma data, e no mesmo jornal, porém, no caderno dedicado à agricultura, encontramos outra matéria, desta vez entitulada “Logística é entrave para aumento de exportação de Algodão”. O Brasil deve exportar 450 mil toneladas de algodão em 2004, e foi discutido no “1o Workshop sobre Logística para exportação de Algodão”, promovido pela Associação Nacional dos Exportadores do Algodão (ANEA), em São Paulo.

O evento reuniu empresas de todas os elos da cadeira de abastecimento, desde a lavoura até os armadores, e o presidente da entidade, Sr. Antônio Esteve, destacou como entraves:

A Alta dos fretes;
As greves dos operadores portuários e funcionários públicos;
A escassez de contêineres;
Os problemas domésticos de Armazenagem e Transportes.

Segundo informação da ANEA, em 2003, o Brasil exportou 175 mil toneladas, e atingirá 600 mil em 2005 (ou seja, no ano que vem).

O pior de tudo é que o representante da NYK, um dos maiores armadores globais, diz que o Mercosul representa cerca de 1% do mercado de fretes marítimos de longo curso.

Para concluir, quero registrar meu pensamento, externado em palestra que proferi no INDUSLOG, evento produzido pela FIESP há cerca de 15 dias: “O passado carrega um passivo pesado e completo para o presente. Mas qual é o legado que nós, governo, industriais, transportadores e consultores deixaremos para o futuro?”

Presidente Lula, Ministro Alfredo Nascimento, amigo Keiji Kanashiro, entre os mais importantes do cenário: Não está na hora de criar o “MINISTÉRIO DA LOGÍSTICA”? E fundir ações e responsabilidades dispersas em vários ministérios?

É para pensar, enquanto saboreamos, (com todo direito que nos é permitido) uma deliciosa caipirinha de cachaça, o brasileiríssimo coquetel que agrada todas as torcidas.

JGVantine