30 DE JUNHO DIA DO CAMINHONEIRO

O Príncipe das Estradas

Essa classe profissional é uma das que mais merece ser homenageada, pois como diz a letra da música “Frete” de Renato Teixeira:

6“Conhece cada palmo desse chão, é só mostrar qual é a direção
Quantas idas e vindas meu Deus quantas voltas
Com a carroceria sobre as costas, fazendo frete cortando o estradão!”

Ao longo da minha carreira sempre exortei esse Profissional, normalmente castigado pela pressão dos custos, sendo ele o último da fila, é ele quem paga o pato. Muitas vezes sem sobrar dinheiro para sustentar a família.

Novamente na letra de Renato Teixeira:

“Eu conheço todos os sotaques
Eu conheço as minhas liberdades
Mas quando me lembro lá de casa, a mulher e os filhos esperando
Sinto que me morde a boca da saudade
É quando a estrada me acode!”

Outra frase profunda dessa música diz: “pois a vida não me cobra o frete”, que quer dizer que, esse Profissional, CAMINHONEIRO, o Príncipe das Estradas, elemento itinerante, muitas vezes com destino errante, busca carga sem saber seu próximo destino.

A nossa merecida homenagem a esse Profissional, esperando que em algum dia mais próximo possível, tenha o seu valor reconhecido e respeitado por todos Profissionais de Logística do Brasil.

O TAC – Transportador Autônomo de Carga popularmente chamado de “caminhoneiro” finalmente sai das trevas financeiras e vira cidadão legal capaz de provar sua renda para financiar seu caminhão novo e ser honrado pela sociedade que usa o que ele transporta.

I – INTRODUÇÃO

São inúmeras as músicas que tratam da vida do caminhoneiro, exatamente porque por mais paradoxal que seja, apesar das agruras do seu trabalho, suas aventuras despertam o imaginário dos poetas. E dentre eles, especialmente Renato Teixeira com sua música “Frete” tornada mais conhecida pela série “Carga Pesada” na televisão.

E dessa música emprestei a frase “A vida não me cobra o frete”. Pelos seus olhos o Caminhoneiro é aquele que :

  • Conhece cada palmo desse chão
  • Carrega a carroceria sobre as costas
  • Conhece todos os sotaques e cidades, e das mulheres todas as vontades;
  • Se acode na estrada quando a saudade morde”

Eu acompanho esse mundo há mais de 35 anos, sendo há 25 na atividade de consultoria, e por conta disse me sinto à vontade para, como sempre fiz, usar a minha liberdade de expressão para uma interpretação livre sobre a Lei e a Prática que trata sobre o tema já batizado pelo setor como “Conta-Frete”.

II – OS FATOS

  • Permanece (e assim continuará por longos anos à frente) a participação do modal rodoviário com cerca de 60% na matriz de transportes de cargas no Brasil. E se excluir cerca de 25% do ferroviário (minério e graneis), podemos afirmar que “O Brasil circula de caminhão” com cerca de 85%. Gostem ou não os técnicos, ambientalistas e acadêmicos! Quem decide isso é o mercado!;
  • Segundo dados da ANTT (outubro/2011) através do RNTRC – Registro Nacional de Transporte Rodoviário de Carga, dos cerca de 610.000 registros emitidos como Transportador, 85% está na categoria “Autônomo, e o restante são empresas e cooperativas;
  • Ainda segundo a mesma fonte, os Autônomos possuem cerca de 720.000 veículos registrados (média de 1,7 TAC) enquanto as empresas possuem cerca de 825.000 (média de 8,7 ETC), e os 267 cooperativas têm pouco mais que 11.000 (média de 42 / COOP);
  • Conforme estatística da ANTT, a idade média da frota dos Caminhoneiros é de 18,4 anos para 7,8 das empresas;
  • Essas médias são bastantes genéricas e não estratificadas, o que pode gerar diferentes interpretações.

Há longo tempo convivendo no setor tenho por hábito conversar com caminhoneiros. Na semana em que escrevi esse artigo (2ª semana de outubro-2011), falei com muitos, e em lugares diferentes: Central de Distribuição de uma grande rede de Supermercados na Vila Anhanguera/SP, Posto de Serviço na Via Dutra Jacareí/SP, Posto de Serviço da Via Dutra Guarulhos/SP e no Centro de Atendimento aos

Caminhoneiros de uma grande siderurgia no Rio de Janeiro. Não se trata de uma pesquisa técnica, mas de observação qualitativa.

J.G.Vantine, presidente da Vantine Consulting, empresa de Consultoria de Logística em Supply Chain Management